Voltar aos artigos

Quanto exercício preciso fazer? E quais tipos de exercício são melhores para a saúde?

Corpo 10 05/08/2026 Dr. Charles Genehr
Imagem do artigo

Uma das perguntas mais comuns quando alguém decide cuidar melhor da saúde é:

“Quanto exercício eu preciso fazer por semana?”

A segunda costuma ser:

“Qual é o melhor exercício?”

E existe uma terceira:

“Preciso fazer academia?”

A boa notícia é que a resposta é mais simples do que parece.

Você não precisa ser atleta.

Não precisa correr todos os dias.

Não precisa passar horas na academia.

E não precisa escolher uma única modalidade.

O mais importante é construir uma combinação de movimentos que seja suficiente para melhorar a saúde e sustentável ao longo do tempo.

Quanto exercício um adulto deve fazer?

Para adultos, a Organização Mundial da Saúde recomenda:

150 a 300 minutos por semana de atividade aeróbica de intensidade moderada

ou

75 a 150 minutos por semana de atividade aeróbica vigorosa

ou uma combinação equivalente das duas.

Além disso, recomenda-se realizar atividades de fortalecimento muscular envolvendo os principais grupos musculares em dois ou mais dias por semana.

Essa é uma recomendação populacional.

Não significa que todos precisam começar imediatamente com 300 minutos.

Quem está sedentário pode começar com menos.

A própria OMS enfatiza que alguma atividade é melhor do que nenhuma.

O que significa intensidade moderada?

Uma maneira prática de entender é observar a respiração.

Na atividade moderada, a pessoa geralmente consegue conversar, mas percebe que está respirando mais rápido.

Exemplos:

A intensidade é relativa.

Uma caminhada confortável para um atleta pode ser intensa para uma pessoa sedentária.

Por isso, não devemos olhar apenas para velocidade ou distância.

E atividade vigorosa?

É aquela que exige maior esforço.

Exemplos:

A pessoa normalmente precisa respirar mais rapidamente e tem dificuldade maior para manter uma conversa durante o esforço.

Preciso fazer tudo de uma vez?

Não.

A atividade pode ser distribuída ao longo da semana.

Por exemplo:

30 minutos × 5 dias = 150 minutos.

Ou:

50 minutos × 3 dias = 150 minutos.

Ou ainda uma combinação de atividades moderadas e vigorosas.

A melhor distribuição depende da rotina e da capacidade individual.

E se eu não conseguir 150 minutos?

Comece com menos.

Esse ponto é fundamental.

Uma pessoa que atualmente faz zero minutos semanais não precisa pensar:

“Se não conseguir 150, não adianta.”

Adianta.

10 minutos são melhores do que zero.

20 minutos são melhores do que zero.

Uma caminhada curta pode ser o primeiro passo.

Depois, o volume pode aumentar progressivamente.

E a musculação?

É extremamente importante.

O treinamento de força ajuda a preservar e desenvolver massa muscular e força.

Isso ganha ainda mais importância com o envelhecimento.

Mas fortalecimento não precisa necessariamente significar musculação tradicional.

Pode incluir:

O importante é trabalhar os principais grupos musculares com uma intensidade adequada.

E alongamento?

Alongamento pode ser útil para algumas pessoas, especialmente quando existe limitação de mobilidade.

Mas alongamento não substitui atividade aeróbica nem treinamento de força.

Uma rotina completa pode incluir:

aeróbico + força + mobilidade.

E equilíbrio?

Para pessoas mais velhas, equilíbrio ganha importância especial.

A OMS recomenda que idosos com mobilidade reduzida incluam atividade física voltada para equilíbrio e prevenção de quedas em três ou mais dias por semana.

Mas equilíbrio não é importante apenas para idosos.

É uma capacidade física que pode ser treinada ao longo da vida.

E para a saúde da pele?

Aqui precisamos evitar uma promessa exagerada.

Não existe uma quantidade específica de exercício que possa ser considerada “ideal para a pele”.

A atividade física beneficia principalmente a saúde sistêmica.

E essa saúde sistêmica pode repercutir sobre a pele.

Além disso, exercício pode influenciar:

Uma revisão recente sobre atividade física e pele destaca mecanismos potenciais envolvendo circulação, metabolismo celular, regulação do estresse e mediadores anti-inflamatórios, mas também chama atenção para possíveis efeitos adversos relacionados a exercício intenso, irritação, calor, suor e exposição ambiental.

Existe exercício específico para acne?

Não existe um exercício específico comprovado como tratamento da acne.

A acne é uma doença multifatorial.

Exercício pode fazer parte de um estilo de vida saudável, mas não substitui tratamento dermatológico quando necessário.

Por outro lado, algumas pessoas podem perceber piora da acne corporal ou foliculite quando existe:

Nesses casos, o cuidado deve ser adaptado.

E para psoríase?

A relação é particularmente interessante.

Pessoas com psoríase frequentemente apresentam níveis menores de atividade física e podem apresentar maior carga de fatores cardiometabólicos.

Uma meta-análise publicada em 2024 encontrou menor atividade física de alta intensidade entre pacientes com psoríase e observou melhora significativa do PASI após exercício, embora os autores ressaltem a necessidade de mais estudos de qualidade.

Portanto, exercício pode ser uma parte importante do cuidado global da pessoa com psoríase.

Mas não substitui tratamento médico.

E para rosácea?

Aqui precisamos pensar na intensidade e no ambiente.

Calor e exercício intenso podem provocar vasodilatação e flushing.

Algumas pessoas com rosácea podem perceber piora.

Isso não significa abandonar o exercício.

Pode significar:

Exercício ao ar livre: cuidado com o sol

Para a dermatologia, essa é uma das recomendações mais importantes.

Se você corre, pedala, joga futebol, faz trilhas ou pratica qualquer atividade ao ar livre, precisa considerar a exposição ultravioleta.

A atividade física não elimina os efeitos da radiação solar.

Por isso, o exercício ao ar livre deve ser acompanhado de fotoproteção adequada.

Dependendo da atividade, podem ser úteis:

Existe uma rotina ideal?

Não existe uma única.

Mas podemos montar um exemplo bastante equilibrado para um adulto saudável:

Segunda-feira

30 minutos de caminhada rápida.

Terça-feira

Treinamento de força.

Quarta-feira

30 minutos de caminhada, bicicleta ou outra atividade aeróbica.

Quinta-feira

Treinamento de força.

Sexta-feira

30 minutos de atividade aeróbica.

Sábado

Atividade prazerosa:

Domingo

Descanso ou caminhada leve.

Essa é apenas uma possibilidade.

Não é uma prescrição individual.

E quem está muito sedentário?

Pode começar ainda mais devagar.

Por exemplo:

Semana 1

10–15 minutos de caminhada em alguns dias.

Semana 2

Aumentar progressivamente.

Semana 3

Adicionar fortalecimento leve.

Semana 4

Aumentar duração ou frequência conforme tolerância.

O princípio é:

progressão gradual.

Isso reduz a chance de transformar o início da atividade física em uma experiência excessivamente difícil.

Mais exercício sempre significa mais saúde?

Não necessariamente.

Para muitas pessoas, aumentar a atividade física traz benefícios.

Mas existe um ponto em que o problema deixa de ser falta de estímulo e passa a ser recuperação inadequada.

Treinamento excessivo pode estar associado a:

Portanto, descanso não é “falta de disciplina”.

Descanso faz parte do treinamento.

O que é melhor: cardio ou musculação?

Essa é uma falsa escolha.

Para a maioria dos adultos, a combinação é melhor.

Aeróbico

Contribui especialmente para:

Força

Contribui especialmente para:

Mobilidade

Ajuda a manter amplitude de movimento.

Equilíbrio

É especialmente importante com o envelhecimento.

Por isso, uma rotina completa não precisa escolher apenas uma dessas categorias.

E caminhada?

A caminhada é subestimada.

Ela pode ser uma excelente porta de entrada para quem está sedentário.

É acessível.

Pode ser feita praticamente em qualquer lugar.

Não exige equipamentos sofisticados.

E pode ser adaptada em velocidade e duração.

Para muitas pessoas, caminhar diariamente pode ser mais sustentável do que tentar começar um programa intenso de exercícios.

E exercícios orientais?

Tai Chi e Qigong podem ser opções interessantes para determinadas pessoas.

São práticas que combinam movimento, coordenação, equilíbrio e respiração.

Estudos mostram benefícios especialmente em aspectos como equilíbrio, força e desempenho físico em idosos.

Isso é importante porque demonstra que exercício não precisa necessariamente significar alta intensidade.

O melhor exercício é aquele que você consegue manter

Essa talvez seja a regra mais importante.

Imagine duas pessoas.

A primeira faz o “exercício perfeito” durante três semanas e abandona.

A segunda faz uma atividade muito mais simples durante dez anos.

Qual provavelmente terá mais benefício?

A segunda.

A saúde é construída pela repetição.

Não por sessões isoladas de motivação.

Movimento e pele: pense no conjunto

Para quem busca uma pele saudável, a atividade física deve ser integrada a outros hábitos.

Movimento

Melhora a saúde geral.

Alimentação

Fornece energia e nutrientes.

Sono

Permite recuperação.

Fotoproteção

Reduz dano relacionado à radiação ultravioleta.

Não fumar

Reduz diversos riscos para saúde e pele.

Cuidados dermatológicos

Tratam doenças específicas quando presentes.

Nenhum desses componentes substitui completamente os outros.

Uma estratégia prática

Se você quiser começar a se movimentar mais, uma estratégia simples pode ser:

1. Caminhe mais

Tente aumentar gradualmente seus passos e tempo ativo.

2. Faça força

Inclua fortalecimento pelo menos duas vezes por semana.

3. Mova-se durante o dia

Evite longos períodos sentado.

4. Escolha algo que goste

Prazer aumenta a chance de continuidade.

5. Aumente gradualmente

Não tente recuperar anos de sedentarismo em uma semana.

6. Proteja a pele

Especialmente durante exercícios ao ar livre.

7. Observe sua resposta

Dor persistente, sintomas cardiovasculares, fadiga importante ou problemas dermatológicos recorrentes merecem avaliação profissional.

E quando procurar orientação médica?

Pessoas com doenças cardiovasculares, sintomas durante exercício, limitações importantes, doenças crônicas específicas ou longos períodos de sedentarismo podem precisar de orientação profissional antes de iniciar atividades intensas.

Da mesma forma, uma doença dermatológica que piora sistematicamente com exercício merece avaliação.

O objetivo não é ter medo do exercício.

É praticá-lo com segurança.

Conclusão

Quanto exercício você precisa?

Para adultos, a recomendação geral da OMS é:

150–300 minutos semanais de atividade aeróbica moderada

ou

75–150 minutos de atividade vigorosa

mais

fortalecimento muscular em pelo menos dois dias por semana.

Mas essa é uma referência, não uma obrigação de começar nesse nível.

Se hoje você faz zero, comece com pouco.

Se já faz 150 minutos, pode trabalhar força, mobilidade e equilíbrio.

Se já treina bastante, talvez o próximo passo seja melhorar recuperação.

A pergunta mais importante não é:

“Quanto exercício consigo suportar?”

É:

“Qual quantidade e combinação de movimento consigo manter ao longo dos anos?”

Porque o melhor exercício para a saúde — e provavelmente também para a saúde da pele — é aquele que se torna parte de uma vida equilibrada.

Resumo prático

ComponenteObjetivo
Aeróbico150–300 min/semana moderado ou equivalente
Fortalecimento≥ 2 dias/semana
MobilidadeRegularmente, conforme necessidade
EquilíbrioEspecialmente importante em idosos
Movimento diárioReduzir longos períodos sentado
RecuperaçãoSono e descanso adequados
Exercício ao ar livreFotoproteção
Doenças de peleAdaptar calor, suor, atrito e ambiente

O que a ciência já sabe

A atividade física regular é uma das intervenções de estilo de vida com maior impacto sobre saúde global.

Para a pele, os benefícios provavelmente são principalmente indiretos e sistêmicos, embora existam mecanismos biológicos plausíveis e evidências emergentes de efeitos sobre algumas doenças dermatológicas.

O que ainda não sabemos

Ainda não existe uma “dose dermatológica” universal de exercício.

Não sabemos dizer que determinada modalidade ou determinada quantidade de exercício irá necessariamente deixar a pele mais jovem ou prevenir uma doença dermatológica.

A relação é mais complexa.

Por isso, a melhor estratégia é integrar movimento, alimentação, sono, fotoproteção, saúde metabólica e cuidados dermatológicos individualizados.

Uma conclusão para a série

Movimento não deve ser entendido apenas como uma ferramenta para emagrecer.

Ele é uma das formas mais importantes de manter o organismo funcional ao longo da vida.

E quando pensamos em pele, a mensagem fica ainda mais interessante:

a pele não existe isoladamente.

Ela participa do mesmo organismo que se movimenta, dorme, respira, metaboliza nutrientes, responde ao estresse e envelhece.

Por isso, cuidar da pele também significa cuidar da pessoa como um todo.